Quando consideradas as taxas por 100 mil habitantes, a Bahia está entre os dez estados com maiores índices de mortes violentas intencionais do país. O recorte aponta que sete das 10 unidades da federação com as maiores taxas estão no Nordeste.
A cidade de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, é a segunda mais violenta do Brasil, atrás apenas de Maranguape, no Ceará. Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro também integram o ranking nacional.
Os dados divulgados nesta quinta são referentes aos registros de 2025 e as taxas de violência foram calculadas para cada 100 mil habitantes.
Apesar de a Bahia ocupar cinco das 10 posições do ranking, o estado registrou redução de 9,5% no número de mortes violentas intencionais, passando de 6.047 casos em 2024 para 5.473 em 2025.
No levantamento de 2024, cinco cidades baianas também apareciam entre as 10 mais violentas do país: Jequié, Feira de Santana, Juazeiro, Simões Filho e Camaçari.
Conforme a análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as cidades mais violentas do país sofrem, em grande parte, com disputas entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas.
Mortes por intervenção policial
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública também mostra que a Bahia registrou aumento no número de mortes decorrentes de intervenções policiais.
Em 2025, foram contabilizadas 1.570 mortes provocadas por policiais em serviço ou fora dele, contra 1.556 em 2024.
Com isso, 28,7% de todas as mortes violentas intencionais registradas no estado tiveram origem em intervenções policiais. No ano anterior, esse percentual era de 25,7%.
Em números absolutos, a Bahia continua sendo o estado com mais mortes decorrentes de intervenção policial no país, à frente de São Paulo (835), Rio de Janeiro (798) e Pará (632). Nacionalmente, essas ocorrências passaram de 6.237 para 6.602 entre 2024 e 2025.
Santo Antônio de Jesus, o município com mais de 100 mil habitantes com a maior taxa de mortes por intervenção policial em 2024, que registrou taxa de 30,2, caiu para a 170ª posição em 2025, com taxa de 1,8.
- Os feminicídios bateram recorde em 2025, o que vai na contramão da redução das mortes violentas como um todo. Quatro mulheres foram mortas por dia, em média;
- O Brasil registrou o menor número de assassinatos desde 2012, quando começou o levantamento do Fórum. Foram 40.775 vítimas, queda de 8% em relação a 2024;
- O país teve, pela primeira vez, taxa de mortes violentas abaixo de 20: ficou em 19,1. É o menor número registrado no histórico feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública;
- Outros indicadores de violência contra a mulher registraram alta: mais casos de violências psicológicas (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). O Brasil teve três tentativas de feminicídio para cada crime consumado ao longo de 2025;
- As dez cidades mais violentas no país ficam no Nordeste, metade na Bahia. Maranguape (CE) lidera ranking pelo 2º ano seguido e foi o único município a superar a taxa de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes;
- Santa Catarina registrou 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes e se tornou o estado com a menor taxa do país. São Paulo ocupava essa posição desde 2014;
- As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no ano passado, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%;
- Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%;
- Os casos de bullying e cyberbullying cresceram mais de 60% entre jovens. Isso ocorre após a criação de tipo penal específico, em 2024;
- A quantidade de adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Brasil caiu 54% em 9 anos: são 12,2 mil jovens, a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). As ocorrências mais comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%);
- O número de pessoas no sistema prisional cresceu 6% e chegou a 964 mil. O estudo prevê que, se for mantida a tendência, o Brasil pode bater 1 milhão de presos já em 2027;
- Há 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a ter armas — desse total, 1 milhão têm licença de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) — e 1,6 milhão de armas cadastradas. Três em cada 10 armas estão com registro vencido.
G1 BA
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