Decreto nº 10/2026 aplica correção inflacionária de 4,41% sobre IPTU, taxa do lixo, taxas administrativas, preços públicos e multas; estimativa técnica, ancorada nas LOAs de 2025 e 2026, indica arrecadação própria municipal próxima da casa dos R$ 188 milhões neste exercício.
A gestão do prefeito Otoniel Teixeira iniciou o exercício de 2026 com a aplicação de um novo reajuste generalizado sobre tributos, taxas e serviços municipais, atingindo diretamente o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e alcançando também a taxa do lixo, taxas administrativas, preços públicos, rendas municipais e multas cobradas pela Prefeitura de Barreiras.
A medida foi formalizada por meio do Decreto nº 10/2026, publicado no Diário Oficial do Município em 29 de janeiro, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026. O ato determinou a aplicação de uma correção inflacionária de 4,41%, calculada com base na variação acumulada do IPCA-E, índice oficial apurado pelo IBGE entre janeiro e dezembro de 2025.
Na prática, o decreto estabelece que todas as cobranças municipais expressas em valores monetários sejam atualizadas, independentemente da natureza do tributo, taxa ou serviço, respeitados os limites legais próprios de cada espécie.
O que é reajustado em 2026
Tabela 1 – Tributos, taxas e serviços alcançados pelo decreto
Categoria | Exemplos | Índice aplicado |
| IPTU | Imóveis residenciais, comerciais e terrenos urbanos | 4,41% |
| Taxa do lixo (TRSD) | Coleta e destinação de resíduos sólidos domiciliares | 4,41% |
| Taxas administrativas | Alvarás, licenças, fiscalizações e vistorias | 4,41% |
| Preços públicos (“demais serviços”) | Certidões, uso de espaço público, serviços administrativos diversos | 4,41% |
| Rendas municipais | Arrendamento e concessão de bens públicos | 4,41% |
| Multas administrativas | Infrações urbanísticas, fiscais e ambientais | 4,41% |
Fonte: Decreto Municipal nº 10/2026 — Diário Oficial do Município de Barreiras (29/01/2026).
Impacto direto para o contribuinte
Embora caracterizado como reposição inflacionária, o reajuste gera efeitos imediatos no custo anual suportado por contribuintes residenciais, comerciantes e prestadores de serviços, sobretudo por incidir de forma ampla sobre diferentes cobranças municipais.
Tabela 2 – Simulação ilustrativa de valores
Cobrança | Valor em 2025 | Valor em 2026 | Acréscimo |
| IPTU | R$ 1.000,00 | R$ 1.044,10 | + R$ 44,10 |
| Taxa do lixo | R$ 300,00 | R$ 313,23 | + R$ 13,23 |
| Alvará/licença | R$ 150,00 | R$ 156,62 | + R$ 6,62 |
| Multa administrativa | R$ 500,00 | R$ 522,05 | + R$ 22,05 |
Fonte: Decreto Municipal nº 10/2026; IPCA-E/IBGE (2025). Metodologia: Simulação ilustrativa com aplicação direta do índice inflacionário sobre valores nominais de referência.
Efeito fiscal: arrecadação de 2025 e estimativa para 2026
Sob o ponto de vista das finanças públicas, o reajuste de 2026 impacta diretamente a capacidade arrecadatória do município. Em 2025, primeiro ano da gestão Otoniel Teixeira e exercício já encerrado, a arrecadação própria municipal ficou em torno da casa dos R$ 180 milhões, conforme dados preliminares de execução orçamentária, que englobam IPTU, ISS, ITBI, taxas e demais receitas próprias.
Esse patamar é compatível com as estimativas constantes na Lei Orçamentária Anual de 2025, utilizada como base para a elaboração do orçamento do exercício seguinte. Com a aplicação do reajuste inflacionário em 2026 e a manutenção de base arrecadatória semelhante, estimativa técnica fundamentada na execução de 2025 e nas projeções da LOA 2026 aponta crescimento automático da receita própria municipal.
Tabela 3 – Arrecadação própria municipal
Exercício | Situação dos dados | Valor |
| 2025 | Arrecadação apurada (dados preliminares) | ≈ R$ 180 milhões |
| 2026 | Estimativa técnica baseada na LOA 2026 | ≈ R$ 188 milhões |
Fonte: Lei Orçamentária Anual de Barreiras (LOA 2025 e LOA 2026); dados preliminares de execução orçamentária municipal; Decreto Municipal nº 10/2026. Observação: Os valores de 2025 poderão sofrer ajustes após a publicação do balanço anual consolidado.
Reajustes consecutivos desde o início da gestão
O reajuste aplicado em 2026 sucede medida semelhante adotada logo no início do mandato, em janeiro de 2025, quando a Prefeitura promoveu correção de 4,83%, igualmente baseada no IPCA-E.
Tabela 4 – Evolução acumulada dos reajustes
Ano | Índice aplicado | Aumento acumulado |
| 2025 | 4,83% | 4,83% |
| 2026 | 4,41% | ≈ 9,47% |
Fonte: Decretos Municipais de 2025 e 2026; IPCA-E/IBGE.
Embora formalmente enquadrados como reposições inflacionárias, os reajustes sucessivos evidenciam uma política contínua de atualização automática da arrecadação municipal, com impactos diretos e cumulativos sobre contribuintes residenciais, comerciantes e prestadores de serviços. Até o momento, não foram apresentados dados públicos detalhados que demonstrem, de forma proporcional, a conversão desse incremento de receita em melhorias estruturais nos serviços ofertados à população.
Fonte: Caso de Política

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